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Agrotechs, as startups que estão mudando a Agropecuária mundial

 

O Vale do Silício na Califórnia é referência global em inovação e tecnologia, sendo reconhecido como o maior polo tecnológico do mundo. É o local onde inspirações e tendências são criadas e possui uma cultura totalmente voltada ao empreendedorismo e alta tecnologia. Além de reunir empresas bem-sucedidas, é um centro de conhecimento, oportunidades, capital financeiro e investimentos voltados para inovações em tecnologia e negócios. Justamente pela referência em inovação que remete, o nome “Vale do Silício” já foi apropriado para diferentes polos que se destacam de forma semelhante, como a cidade de Florianópolis: o “Vale do Silício Brasileiro” que já provou notoriedade no setor de tecnologia no país.

Sabemos que a referência em inovação em tecnologia é o Vale do Silício americano, porém, quando a questão é o setor agro, o Brasil segue sendo a referência. . Soluções de AgTech, termo atribuído às tecnologias aplicadas ao agronegócio, se tornaram necessárias a partir da crescente demanda da produção de alimentos decorrente do crescimento populacional, estimado em 33%, para 10 bilhões de pessoas até 2050, o qual preocupa os produtores brasileiros que desde já investem em soluções tecnológicas no setor.

 

O Brasil:

É o segundo maior exportador mundial de alimentos, ficando atrás dos Estados Unidos.

A grande diferença entre os dois países – e a potencial vantagem brasileira – é que, enquanto os norte-americanos não conseguem mais expandir sua área agrícola, apesar de possuir uma produção muito eficiente; o Brasil possui uma área muito extensa, que pode ainda ser muito explorada, uma vez que a produtividade do País é menor.

Levando em consideração a soja como exemplo, segunda maior produção dos EUA e do Brasil, os EUA produziram 100,15 milhões de toneladas de soja em 2018 e o Brasil bateu seu recorde produzindo 117,9 milhões de toneladas no mesmo período. Evidenciando que, com investimentos em tecnologia para aumento do nível de produtividade no campo, o Brasil pode se tornar a maior potência do setor.

O setor Agropecuário brasileiro é responsável por aproximadamente 24% do PIB do País e vem passando por uma transformação nos últimos anos em que se fomenta a tecnologia e desenvolve a inovação. Desta forma, e a partir das necessidades de otimização da produtividade agropecuária e maximização de recursos globais, o Brasil desenvolveu know-how e expertises necessárias para ser referência no mercado.

Inserido neste cenário, se o Brasil investir no desenvolvimento da agricultura 4.0, termo que se refere ao conjunto de tecnologias aplicadas para otimização da produção agrícola que deriva do conceito de Indústria 4.0, sendo esse desenvolvimento essencial para o futuro do setor e da humanidade, o Brasil pode se tornar o Vale do Silício Agro.

Startups brasileiras já desenvolvem softwares, sistemas e equipamentos para integração e conexão das fazendas, que otimizam as produções agropecuárias em toda a cadeia de produção, introduzindo inteligências que permitem monitoramentos e análises de precisão em todos os tipos de insumos, desde sementes a animais.

Em função do nosso histórico econômico, geográfico, cultural e social, com uma representatividade que vem desde as maiores companhias até os produtores familiares, o Brasil tem um dos terrenos mais férteis do mundo para fomentar e desenvolver a inovação no agronegócio.

Dessa forma, técnicas de manejo e cultivo e as tecnologias de precisão que otimizam o trabalho do homem do campo desenvolvidas no país, se tornam alvo de interesse mundial. As AgTechs brasileiras impactam diretamente na qualidade de vida do agricultor, com a otimização do trabalho e maior rentabilidade, as startups vêm revolucionando o setor.

 

A fazenda é uma fábrica a céu aberto, assim, apresenta necessidades em toda a cadeia produtiva, desde seleção de sementes até a gestão de máquinas e logística.

 

As AgTechs brasileiras desenvolvem soluções em 18 áreas:

Análise Laboratorial – Bem-estar Animal/Aquicultura – Biotecnologia/Hard Sciences/ Bioenergia – Data Analytics /IA/BI – E-commerce e Marketplace/Economia Compartilhada – Eco-friendly – Farm-to-table – Fertilizante/Insumos e Controle Biológico – FoodTechs – Gestão Animal – Gestão de Lavoura – Gestão de Propriedade – Novas formas de plantio/Clima Inteligente – Robótica e Automação – Sensores e IoT – Serviços Financeiros e Blockchain – Traceability – VANTs/Drones e Geoprocessamento.

 

Desafios enfrentados pelas AgTechs no cenário brasileiro:

  • Predominância de agricultura tradicional;
  • Dificuldade de obtenção de crédito rural;
  • Baixa conectividade no campo;
  • Alto custo, imprecisão de qualidade das imagens e a necessidade de solicitá-las com antecedência;

Devido a esses embates que impedem um florescimento ainda maior do empreendedorismo no setor, vê-se fundamental a participação ativa dos articuladores do segmento, desde o processo comercial dessas tecnologias até a abordagem do tema em todas as esferas que regulamentam e legislam o setor, para que ocorra uma maior abertura do mercado.

 

Brasil, Vale do Silício Agro

Com um uso intensivo de tecnologias de software de gestão a aplicativos móveis de monitoramento, estamos apenas no começo desta revolução, tendo espaço para novas startups e instituições de pesquisa prosperarem.

No Brasil sentimos as dores do nosso vasto mercado agro. Por possuirmos terras muito férteis e um clima tropical, inclusive as pragas se multiplicam com facilidade, tornando-se imprescindível o controle das mesmas, o que requeriu anos de desenvolvimento para os transgênicos no País, resultando em um histórico forte de tecnologias genéricas do campo.

O próximo passo para avanço do nosso setor está justamente em se envolver ainda mais na criação e desenvolvimento de tecnologias de software e hardwares da agricultura 4.0, aumentando a expectativa de geração de riqueza para o País. AgTechs brasileiras tem a oportunidade de serem internacionalizadas e transformarem o Brasil no Vale do Silício Agro, podendo aqui serem criadas as próximas “Apple, Google e Facebook” do agronegócio.