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São Paulo, inegável centro comercial do Brasil, concentra grande população e, concomitantemente, elevado número de startups. Mas outro polo, na região Sul, acabou sendo apelidado de “Vale do Silício Brasileiro”: Florianópolis. A capital catarinense foi destaque recente em relatório do Bradesco BBI circulado amplamente na mídia, o qual destacava que, mesmo tendo apenas 3% da população brasileira, o estado de Santa Catarina possui 20% das startups nacionais. E o que o sucesso de Floripa tem em comum com o do Vale do Silício?

O polo norte-americano de tecnologia construiu sua reputação em um longo período e a passos lentos. Em 1950, Hewlett-Packard (HP) e produtoras de chip sedimentaram a indústria do silício. Em 1970, surgiram Apple, Intel, Atari, Oracle. A partir de 1990, Amazon, Google, Ebay. Finalmente, já no novo milênio, Facebook, Instagram, Uber, entre muitos outros conhecidos globalmente nos dias de hoje. Assim, o Vale de hoje é o resultado de mais de meio século de desenvolvimento estruturado.

A região é ainda sede de algumas das universidades mais conceituadas do mundo, como Berkeley, Caltech, UCLA, UC San Diego e Stanford. Se não bastasse a disponibilidade de mão-de-obra formada localmente, de acordo com publicação da Forbes de 2018, 55% das startups avaliadas em mais de U$ 1 bilhão – as famosas startups unicórnio – foram fundadas por imigrantes, provando a contribuição dos “não-locais” para a riqueza do Vale.

Talvez de menor conhecimento para os brasileiros, mas o governo teve papel crucial para formação do Vale do Silício. No início do século XX, o governo americano passou a utilizar de diversas bases militares na região como centros de desenvolvimento de tecnologia. Em 1957, quando ocorreu a criação da NASA, a recém fundada agência passou a utilizar companhias do Vale para acelerar o projeto aeroespacial. Desde o início, o governo esteve comprometido com investimento em pesquisa e desenvolvimento na região, também contribuindo para sua consolidação.

A confluência desses diversos fatores começa a explicar o que é o Vale do Silício. O investimento do governo, junto com a geografia e matéria-prima, trouxeram as primeiras companhias para a região. O sucesso dessas atrai ainda mais empreendedores, que veem no Vale do Silício o lugar ideal para estarem no coração do mundo da tecnologia, com possibilidade de replicarem seus ídolos e terem sucesso em suas empreitadas. Atraindo e formando cada vez mais gente qualificada, o processo de inovação cresce como uma bola-de-neve.

E o Brasil?

O estado de Santa Catarina é famoso por sua qualidade de vida, tendo o terceiro maior PIB per capita do país. Florianópolis, a “Ilha da Magia”, é referenciada por suas belas praias e paisagens. A ilha possui seus problemas de infraestrutura, mas poucos habitantes parecem dispostos a admitir outros lugares para se morar. A cidade tem crescido em ritmo intenso, e a bela natureza sempre atrairá fluxo migratório.

Neste cenário, Florianópolis vem construindo seu histórico em tecnologia há algumas décadas. As startups catarinenses têm se destacado principalmente com software nos segmentos de gestão, propaganda e marketing e dados. Tem pouca ou nenhuma necessidade de matérias-primas industriais.

Os primeiros casos remontam já ao final da década de 1980 e década de 1990. A primeira incubadora do país foi fundada na capital em 1987, e na sequência algumas primeiras empresas – como Softplan, Suntech, Digitro – passaram a se consolidar. Passados 20 anos e já nesta década de 2010, casos como Chaordic (vendida por mais de R$ 50 milhões), Decora (vendida por U$ 100 milhões) e Resultados Digitais contribuem para colocar a cidade no mapa internacional de região com startups relevantes.

A capital de Santa Catarina também possui importantes universidade públicas – a federal UFSC e a estadual UDESC, diversas universidades particulares e, sendo capital do Estado de Santa Catarina e geograficamente no “meio do Sul”, consegue atrair formandos de universidades de toda a região Sul. Tal qual o do Vale do Silício americano, Floripa é uma cidade com diversidade, recebendo grande fluxo imigratório das mais diversas regiões do país e do Mercosul.

Já há alguns bons anos, o governo catarinense (e sobretudo o da cidade de Florianópolis) entendeu que possuir dependência relevante do turismo para gerar riqueza na região era um ponto de preocupação. E encontrou no setor de tecnologia o potencial para continuar prosperando. Buscando incentivar iniciativas voltadas ao empreendedorismo tecnológico como alternativa para geração de receita, o Estado passou a oferecer diversos benefícios tributários para empresas de tecnologia, além de buscar ser pioneiro em redução de burocracias – como aceitar assinaturas digitais em protocolos de Juntas Comerciais.

Esta confluência de fatores coloca o Estado no mapa do empreendedorismo nacional e faz muitos investidores e gestoras de Venture Capital encontrarem na região vasta oportunidade de investimentos que podem resultar em bons negócios para investidores e empresários.